segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Rede social ajuda a encontrar documentos perdidos

PM teve ideia após observar número de itens entregues à corporação.

Raphael Costa
raphael.costa@jornaldebrasilia.com.br


Depois de criar a  rede social Mirtesnet, para que seu filho navegasse em segurança, Carlos Henrique do Nascimento viu que podia ir além. Com a ajuda do policial militar Jean Nery, criou uma ferramenta para ajudar as pessoas que perderam documentos. A ideia surgiu após o amigo, que trabalha no Recanto das Emas,  falou sobre a quantidade de itens perdidos. Com aproximadamente mil documentos no banco de dados, a tecnologia já ajudou pelo menos 50 pessoas.
De acordo com Jean,  "muitas pessoas encontram um RG, uma CNH no chão e por não saber o que fazer, nos entrega. Por mês, chegamos a receber algo em torno de 200, 300 documentos em nosso posto", revela o policial.
De acordo com Carlos Henrique, o projeto foi aceito de prontidão. "No momento em que ele me falou sobre a ideia, já imaginei como ficaria na página. Era algo que não precisava de um design muito sofisticado, mas sim um sistema de banco de dados e de busca eficiente. Logo, contactei um programador para providenciar isso", afirmou.

Apesar do grande volume de devoluções, o cabo Jean afirma que não há um setor especializado no assunto dentro da corporação para cuidar do assunto. "Foi aí que notei que um banco de dados poderia ser feito para que as pessoas pudessem encontrar os documentos perdidos de uma maneira mais prática", contou. Nesse momento, Jean decidiu pedir ajuda a Carlos. "Sabia que ele tinha criado o site e queria a opinião dele para saber o que poderia ser feito", afirmou.

Bem-vindo

Após a criação da ferramenta, Jean levou todos os documentos que estavam em seu local de trabalho para que Carlos fizesse o registro. "Foram quatro dias fazendo o cadastro de todos. Isso graças a ajuda da esposa do Jean Nery, que me ajudou a colocá-los no banco de dados", explicou o criador da Mirtesnet. 

Com apenas uma semana de funcionamento, a ferramenta já ajudou dezenas de pessoas. O motorista José Feliciano de Mesquita tem 35 anos, é um deles. Há três semanas, ele teve o vidro do automóvel quebrado por criminosos e diversos pertences furtados, na região de Taguatinga Norte. “Entre os pertences que me roubaram estavam todos os meus documentos. RG, CPF, reservista, carteira de trabalho. Registrei o Boletim de Ocorrência, pois não tinha a menor esperança de ter os meus documentos de volta”, disse. 

Busca pela rede é mais prática, rápida e segura
De acordo com o motorista  José Feliciano de Mesquita, 35 anos, foi um amigo que o alertou sobre a ferramenta. "Entrei meio desacreditado, mas quando digitei o meu nome e vi que meus documentos tinham sido encontrados, fiquei extremamente feliz", declarou. 

Além do resultado positivo, Feliciano destacou a facilidade para encontrar e mexer na ferramenta, inserida à rede social Mirtesnet. "Foi muito simples. Abri a página, fiz o cadastro e quando fiz a primeira busca, achei os meus documentos. Foi um alívio sem igual", revela

Para os criadores da página, a satisfação em entregar a documentação de volta aos donos é a parte mais recompensadora do trabalho. "Sabemos o trabalho que é refazer todos os documentos. Por isso, ficamos muito felizes em devolvê-los às pessoas", relatou Carlos Henrique, idealizador da Mirtesnet, disponível no site mirtesnet.com.br.

Usuários
Segundo Carlos Henrique, a rede social já tem pelo menos cinco milhões de usuários. O criador  ressalta que planeja expandir a ferramenta desenvolvida com Jean Nery. "Com uma adesão grande, como está ocorrendo agora, e com a divulgação da mídia, acredito que no futuro o site tenha o propósito de reencontrar documentos perdidos", explicou. 

O militar Jean Nery, por sua vez,  afirma que entrará em contato com os superiores da Polícia Militar para expandir o alcance do projeto e tornar a ferramenta uma aliada para buscar a documentação perdida.

 "Nosso objetivo é fazer um grande banco de dados com todos os documentos que forem entregues à Polícia Militar. Isso vai ajudar a população e criará uma maior interação com os cidadãos. Caso haja uma eficiência e um bom retorno, podemos expandir o projeto a nível nacional", especulou o policial. 


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília em 26.01.2015